JORGE LUIZ BORGES
Borges não viveu o que escreveu, mas escreveu o que viveu, como qualquer outro
Algumas maldições pesaram sobre a cabeça do argentino Jorge Luís Borges, enquanto ele viveu.
O Prêmio Nobel de Literatura lhe foi negado por causa de seu anarquismo, interpretado como fascismo pela esquerda dominante nos meios intelectuais e universitários.
Outra maldição, menos pesada, mas nem por isso menos falsa, foi a de que sua obra não abordava assuntos sociais, mas labirintos, espelhos e tigres, temas muito distantes da miséria real de seu continente.
[TEXTO DE José Nêumanne, jornalista, poeta, escritor e editorialista do "JT" ]
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O relativismo de Borges é absoluto. (...) Borges, visionário céptico, encanta-nos até quando aceitamos a sua advertência: a realidade cede demasiado facilmente. (Harold Bloom)
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Bem no fundo do sonho estão os sonhos. A cada
Noite quero perder-me nas águas obscuras
Que lavam o dia, mas sob essas puras
Águas que nos concedem o penúltimo Nada
Pulsa na hora cinza o obsceno portento.
Pode ser um espelho com meu rosto distinto,
Pode ser a crescente prisão de um labirinto
Ou um jardim. O pesadelo sempre atento.
Seu horror não é deste mundo. Causa inominada
Alcança-me desde ontens de mito e de neblina;
A imagem detestada perdura na retina
A infama a vigília como a sombra infamada.
Por que brota de mim, quando o corpo repousa
E a alma fica só, esta insensata rosa?
Jorge Luis Borges

NÉLIDA PIÑON











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